Participei, nos últimos dias, do SXSW 2026, o maior evento de inovação, cultura, cinema e música do mundo. Há 40 anos, ele acontece anualmente na capital do Texas, Austin (EUA). Esse ano, o encontro ocorreu de 12 a 18 de março, com uma programação que reuniu palestras, painéis, shows, exibições e outras experiências que entrelaçam tecnologia, cultura e sociedade. O SXSW costuma antecipar tendências que ainda estão distantes do mainstream.
Uma das principais constatações que fiz durante o evento foi de como a adoção de inteligência artificial nas empresas não é só mais um plano, mas uma realidade. As principais aplicações dessa tecnologia nas organizações – de pequenas a grandes – vão desde a melhoria de eficiência operacional até o atendimento aos clientes.
Em empresas maiores, principalmente as mais tradicionais, a inteligência artificial já entrou no radar e, em muitos casos, já começou a ser aplicada. No entanto, essa implementação ainda acontece de forma lenta, fragmentada e, muitas vezes, desconectada da estratégia principal do negócio. Em contraste, empresas menores e startups operam com uma lógica diferente: elas já consideram a IA como parte central da operação.
Esse contraste ficou ainda mais evidente em um painel na Accenture, onde Brian Niles, Diretor de Transformação do Varejo na Bridgestone, trouxe um erro recorrente em empresas que estão tentando avançar com IA. Segundo Niles, muitas organizações ainda tratam a inteligência artificial como uma frente isolada, tentando definir uma “estratégia de IA” como se fosse uma área delimitada e específica dentro da empresa.
O resultado disso são ações desconectadas de outras áreas, que tendem a não gerar grandes valores reais. O que diferencia as empresas que estão, de fato, avançando não é a existência de uma estratégia de IA formal, mas quem entende como a inteligência artificial pode ajudar na estratégia comercial, operacional e de marketing. É a capacidade de implementar soluções de forma transversal, não somente como uma iniciativa única.
Outro ponto que me chamou atenção foi a quantidade de pessoas curiosas em relação à IA, mas que realmente não a testam. Participei de um meetup sobre OpenClaw, em um pub belga, organizado paralelamente ao evento (dizem que esses eventos são onde o SXSW realmente acontece). Minha expectativa era conhecer outras pessoas e ver os casos onde elas estavam usando a ferramenta. No entanto, a realidade foi diferente e bateu forte: de 10 pessoas que conversei, somente 3 realmente tinham instalado e feito algum uso do OpenClaw. Apesar de ter sido a minha experiência pessoal, esse cenário me trouxe um alerta de um sintoma que pode ser parte de algo maior: a grande maioria das pessoas tem curiosidade, mas não estão realmente utilizando essas ferramentas, perdendo a chance de entender o real potencial delas no seu dia a dia.

Participação do Gabriel Maracaípe, CTO da Morada.ai, no SXSW.
Essa dinâmica também apareceu de forma clara nas discussões sobre o mercado imobiliário. Na Proptech House, Seth Siegler, Diretor de Inovavação da eXp Realty, trouxe que mitigar riscos é essencial, mas o maior risco que qualquer empresa enfrenta hoje é o de não adotar inteligência artificial com a mesma profundidade que uma startup nativa em IA faria no seu lugar. É fácil se contentar com pequenos ganhos de automação aqui e ali. O problema é que uma startup nascendo hoje não partiria dos seus processos existentes para otimizá-los com IA. Ela começaria do zero, repensando tudo a partir dos primeiros princípios.
O padrão que vi se repetir no SXSW foi esse: empresas engatinhando, pessoas interessadas, mas sem prática, e uma janela de vantagem enorme para quem decidir sair da curiosidade e partir para a ação. Curiosidade, por si só, não gera transformação. Sem prática, ela se limita ao entretenimento. A pergunta que fica não é sobre o potencial da IA, já que esse está claro. A questão é o que cada empresa, e cada profissional, está fazendo com isso agora. E você? O que vai construir essa semana?
Na Morada.ai, essa é uma discussão central, é a aposta que estamos fazendo. E estamos ajudando o mercado imobiliário a fazer o mesmo. No fim, a diferença não estará em quem entendeu primeiro. Estará em quem começou antes.
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